Edicões Gambiarra Profana/Folha Cultural Pataxó

quarta-feira, 24 de março de 2010

PÉTALAS



PÉTALAS

Quero beijar seus lábios
Frágeis e tímidos
Sedentos
Da sutileza dos meus carinhos

Quero sentir seu corpo
Como pétalas de estrelas
Que iluminam
Minha vida

Quero banhar-te suavemente
Com o perfume da sua delicadeza
Enquanto nos amamos perdidos no desejo
De semear as sementes do amor

Até chegarmos
Ao clímax da felicidade
Entre nossos sonhos alados
De tanto se amar

sábado, 13 de março de 2010

CRISÂNTEMOS



CRISÂNTEMOS

Não adianta esconder
Não adianta se esconder
Tentar deixar de viver

Não adianta ver o crepúsculo
Do buraco oco do quarto
E tentar esquecer

Não adianta colher crisântemos
Se não tiver para quem oferecer
Para quem valha a pena viver

Não adianta sussurrar
Que tentará deixar de amar
Se já sabe que não conseguirá

sábado, 20 de fevereiro de 2010

CONTO SEM FADAS





CONTO SEM FADAS

As nuvens cinzentas descoloriram o arrebol
Não vi quando chegaram trazidas pelo vento
Tingindo de amargura a enseada
Amarelando o sonho que não dará em nada

Meu delírio é como pêndulo distorcido
Fico desfalecido sem luz tênue para olhar
Sem cabana para me abrigar

Estive sonhando um conto sem fadas
Perambulando na madrugada
Virei o rosto sem aurora boreal
Adormeci num vazio sem cama nem lençol

Sou uma gota de chuva miúda
Não tenho nenhuma gruta
Não consigo nem mesmo molhar
E ainda quis brincar de sonhar

SONETO DA DESPEDIDA NA JANELA





SONETO DA DESPEDIDA NA JANELA

Só queria te dizer que te amo
Que as noites que passei acordado
Debruçado na janela para ver você
Não foram cenas do último verão

Pensava em olhar seus cabelos através das árvores
Sentir seu rosto no perfume da brisa
Acariciar seu corpo com meu pensamento
Ter seu amor pelo menos naqueles momentos

Sempre imaginei seus passos tímidos na calçada
Como se fossem asas que acariciam o girassol na puberdade
Como se fossem estrelas iluminando nossa cidade

Sonho com você seduzindo a margem do rio
Como o colibri seduz a paisagem
Pintando em seus olhos a minha miragem

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

AMAR NOS SONHOS SEM MAR





AMAR NOS SONHOS SEM MAR

Não consigo ter você
Não tenho como lhe tocar
Preciso desamarrar as tendas
Do meu deserto

Não tenho você por perto
Vejo apenas seu retrato
No quadrado mágico
Da minha solidão

Não tenho como te amar
Minhas nuvens vão soluçar
Em direção ao mar
Para viver de sonhar

Meu sonho virou inverno
Você vai evaporar distante do meu olhar
Não terei como te amar
Não terei como parar de sonhar

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

TARDE SEM SOL



TARDE SEM SOL

Foi por acaso que a vi pela primeira vez
Não tinha noção do que seria
E aos poucos foi ocupando o espaço
Foi contagiando cada pedaço que existe

Foi por acaso que olhei pra você
Sem nenhuma razão para te conhecer
Mas as flores que se abriam eram perfumadas
E aos poucos você foi cativando meu olhar

Foi sem pensar que numa tarde sem sol
Comecei a sentir sua falta
E então rebusquei meus cadernos jogados ao alento
Para ver se a encontrava em alguma página virada

Foi por acaso e com timidez que ouvi sua voz
E comecei a confundir com o canto dos pássaros
Que estavam namorando nas árvores da praça
Onde eu me sentia leve como uma pluma ao seu redor

Foi sem perceber que senti uma ponta de ciúme
Então percebi que as águas já haviam passado pelo moinho
E que já era tarde naquela tarde para esquecer seu rosto
Que ainda hoje fico olhando no retrato quando você não está

domingo, 24 de janeiro de 2010

MENINA LINDA



MENINA LINDA

Menina linda
Dos olhos cor de mel
Que me cobre de beijos
Que alimenta meus desejos

Menina linda
Do corpo de primavera
Carinhosa como a beira mar
Com você aprendi o que é amar

Você é como ondas que enfeitam minha praia
Doce como mel
Linda como meu céu

Menina linda como estrela cadente
Amada pura e cristalina
Feito água na nascente